quinta-feira, 27 de junho de 2013

A fantasia da função

Peter Blake

Do livro Form Follows Fiasco. Boston/Toronto, Atlantic/Little Brown, 1977. P. 15-28. Tradução e edição de Silvio Colin.
A escola de arquitetura em que estudei, nos anos quarenta, estava localizada em um edifício que deve ter sido projetado uns cinqüenta anos antes para abrigar uma escola de odontologia. Eu não consigo imaginar que espécie de dentista aquela estrutura gótica pode ter formado: a acústica era terrível, e o ruído dos motores dos dentistas deveriam reverberar indefinidamente naquelas abóbadas, A luz natural (e artificial) era ainda pior e provavelmente defletia o alvo preciso das brocas. As salas eram sujas, os corredores infestados de cuspideiras e revestidos com um feio papel de parede esverdeado, e as escadas eram íngremes e escorregadias. Era um edifício tão esquisito que qualquer futuro dentista, com um mínimo de amor próprio trocaria de profissão para alguma coisa relacionada com medicina preventiva.
Apesar disso, talvez por causa disso, a Escola de Arquitetura da Universidade da Pensilvânia era um local maravilhoso para um estudante universitário. Por um lado, era um grande edifício contra o qual se rebelar. Por outro, era um edifício capaz de absorver muitas camadas de pintura, manchas de nanquim e reparos no revestimento sem acusar nenhuma perda de sua dignidade arquitetônica. Na verdade, as diversas camadas de sujeira, contribuição de gerações de estudantes rebeldes acrescentou-lhe certa pátina que, ao invés de detratar, dignificou a ambiência daquele atraente bloco de alvenaria.
Escola de Arte e Arquitetura de Yale. Uma forma complexa contendo espaços complexos – cada qual modelado para um fim específico.

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